Idosa faz empréstimo de R$ 10 mil para salvar árvore plantada pelo pai

6 de fev de 2014


A professora aposentada Alma Ione Marinori, de 75 anos, fez um empréstimo de R$ 10 mil para poder salvar uma árvore de 50 anos que estava plantada no quintal da casa onde sua família viveu, em Goianira, Região Metropolitana de Goiânia. Ela então contratou uma empresa especializada para retirar a paineira – conhecida também como "barriguda" – sem que a planta, de 15 metros de altura e 30 toneladas (já podada), sofresse nenhum dano, para que pudesse ser replantada em outro lugar. O atual dono da residência tinha interesse em derrubar a árvore.

Nascida em Gênova, na Itália, Alma se mudou para o Brasil com os pais no fim da década de 1950. Primeiro, viveu em São Paulo e, em 1964, foi para Goianira. Naquele ano, começou a história de amor da família com a árvore.

"Um funcionário que trabalhava para a nossa família pegou algumas sementes e deu para o meu pai plantar. Ela começou a crescer e ficou desse jeito", conta a aposentada ao G1, segurando uma foto do ano 2000, quando a planta estava bastante florida.

Com as mortes dos pais, Alma se mudou da casa e, após sucessivos problemas com inquilinos, decidiu vender o imóvel da família. No entanto, o novo comprador precisava atender a uma única exigência: não cortar a paineira.

O imóvel foi negociado em 2013, mas, segundo a aposentada, o proprietário não cumpriu o acordo. "O comprador me garantiu que não iria tirar a árvore. Mas, meses depois, ele mudou de ideia e me comunicou que precisava cortá-la", afirma a aposentada.

O G1 entrou em contado com o dono da casa, mas ele disse que não quer comentar o assunto.

Retirada

Sem chegar a um consenso, Alma resolveu agir por conta própria para salvar a paineira. Ela foi a um banco e contraiu um empréstimo a ser pago em 20 vezes. "O valor [para replantar a árvore] era de R$ 10,5 mil, mas eu só tinha R$ 500", revela.

Na última sexta-feira (31), com o trabalho de vários homens, carretas, retroescavadeira e até de um guindaste, a árvore foi içada e levada para uma região afastada da cidade, e replantada onde a prefeitura pretende fazer um bosque.

O serviço foi acompanhado de perto pela secretária de Meio Ambiente de Goianira, a bióloga e ambientalista Nilda Jacinto da Silva. Segundo ela, o processo de transporte de árvores desse tamanho já foi feito em outros estados, e o resultado foi satisfatório.
"Temos que tentar. Vimos que há água no solo e estamos usando apenas adubo orgânico. Se tudo der certo, nos próximos seis meses os primeiros brotos devem surgir. Mas vamos monitorá-la por pelo menos um ano. Tenho fé de que vai dar tudo certo", avalia Nilda.

Cães e livros


Divorciada, Alma tem um filha de 35 anos formada em análise de sistemas e que mora em Milão, na Itália. Atualmente, a aposentada ocupa seu tempo com os 30 cães que pegou na rua para criar. Depois que vendeu a casa da família, ela comprou uma chácara próximo à cidade, onde mantém os animais. Lá, revela, há outras quatro árvores que nasceram de sementes oriundas da paineira que ficava em sua antiga residência.

Além disso, em um imóvel em Goianira, Alma mantém com um sócio uma loja que vende produtos para animais. "Ela me rende apenas os 150 kg de ração que gasto por mês com meus cachorros", calcula. 

A ex-professora também escreve livros. Ao todo, já publicou 40. "Gosto de falar de fantasia, mas sempre com algum aspecto da realidade", explica.

Quando questionada por que foi capaz de tanto esforço para salvar uma árvore, ela simplesmente responde: "Quando a gente gosta, gosta". A aposentada diz que visita a paineira todos os dias. Esperançosa, ela acredita que ainda verá a árvore que marcou sua infância florescer novamente. No dia que isso acontecer, ela já sabe como comemorar: "Vou chamar os amigos e beber champanhe.


G1.com

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