Gotas de Esperança
Projeto possibilita que famílias cultivem alimentos em região seca do sertão da Bahia
Por Daniel Santini do Jornal Folha Universal
Em vez de derrubar o pouco que restou da caatinga para fazer carvão ou apostar na criação extensiva de gado, sertanejos do interior da Bahia têm conseguido recuperar o solo de áreas marcadas pela seca e colhido alimentos graças a uma iniciativa que combina agricultura familiar e preservação do meio ambiente.
Conhecido como “Adapta Sertão”, o projeto que mobilizou os camponeses locais conta com financiamento da UmweltBudensAmt, a agência federal de proteção ao meio ambiente da Alemanha, e hoje envolve 38 famílias de quatro municípios diferentes, como Quixabeira, Pintadas e Baixa Grande.
A ideia é relativamente simples. Com uma bomba d´água alimentada por um painel para captação de energia solar, a água retida em açudes é distribuída por um sistema de irrigação e gotejamento sobre o solo seco.
O transporte da água para as lavouras sempre foi um dos principais desafios dos sertanejos – mesmo com a construção de reservatórios, muitas roças fracassaram e sistemas inadequados resultaram na salinização dos solos.
“O principal objetivo é a diminuição do desmatamento na região; 50% da caatinga já foi desmatada e isso agrava e acelera a seca”, explica Thais Corral, diretora de parcerias do projeto.
A preocupação do grupo é encontrar alternativas para evitar o processo de desertificação que já atinge algumas regiões do sertão nordestino.
A solução é relativamente barata. Para cada família, o sistema de irrigação em uma área de 1 hectare custa cerca de R$ 8 mil, de acordo com Thais.
A título de comparação, a previsão inicial de gastos com a transposição do Rio São Francisco, polêmico projeto para levar água para regiões semiáridas do sertão, é de mais de R$ 4,5 bilhões.
Além de sistemas de irrigação adaptados, os sertanejos beneficiados pelo Adapta Sertão também têm acesso a programas de microcrédito, e são incentivados a adotar práticas sustentáveis, como o uso de fertilizantes orgânicos obtidos a partir da reciclagem dos resíduos das roças.
O cultivo de diferentes tipos de alimento também é estimulado e visto como uma alternativa para ampliar a proteção e a segurança contra pragas e variações climáticas.
O projeto conta também com uma rede de jovens comunicadores, garotos e garotas das comunidades envolvidas que participam organizando programas em rádios locais para divulgar a importância de defender a natureza. Site do Projeto aqui.






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